Centros de Dados: O que são (e o que não são) – Parte I
Uma série breve e didática, focada na infraestrutura física dos Centros de Dados, para clarificar conceitos e separar factos de interpretações.
Tenho visto um número crescente de publicações no LinkedIn (e noutras redes) sobre Centros de Dados. Com os investimentos recentes e anunciados em Portugal e Espanha, é compreensível que o tema tenha maior visibilidade.
Trabalho em Tecnologias de Informação e Comunicações há quase 40 anos e, durante grande parte desse percurso, estive ligado (direta e indiretamente) a organizações que operavam/operam Centros de Dados. Também fui docente universitário como Professor Assistente Convidado e, durante 11 anos, lecionei cadeiras na área das TIC.
Nas redes sociais há conteúdo excelente sobre o tema e também muitas dúvidas e interpretações diferentes. Por isso, vou publicar uma pequena série de artigos, de tom didático, pensada sobretudo para não informáticos. Considero esta iniciativa uma modesta contribuição para lançar alguma luz sobre o tema.
Vou tentar responder, de forma simples, a perguntas como:
- O que é (mesmo) um centro de dados?
- Para que serve e quem o utiliza?
- Que benefícios objetivos traz?
- Quem pode utilizar e qual o modelo de preços?
- Que impactos/externalidades devemos considerar?
Começo por tentar desmontar um mito comum: assumir que um centro de dados é, sobretudo, “um investimento em tecnologia de processamento de dados”.
Na prática, um Centro de Dados é um investimento imobiliário e infraestrutural: uma infraestrutura (construída ou adaptada) para alojar computadores. Tal como um edifício de hotel é uma infraestrutura para alojar hóspedes.
Este ponto é importante: tal como na hotelaria, onde o proprietário do imóvel, o prestador dos serviços e os utilizadores são entidades diferentes, nos Centros de Dados as seguintes funções podem ser (e muitas vezes são) desempenhadas por entidades diferentes:
- quem constrói / detém / mantém a infraestrutura física (o edifício propriamente dito);
- quem detém / opera / mantém os sistemas informáticos e presta serviços de computação;
- quem consome a capacidade de computação.
Um bom exemplo, referido com frequência ultimamente, é o que se tem chamado “Centro de Dados da Microsoft em Sines”. Na prática, os papéis estão separados:
- Edifício / infraestrutura física: propriedade e operação da empresa Start Campus.
- Computadores: Propriedade, operação e manutenção da empresa Nscale.
- Consumo da capacidade de computação: Microsoft e seus Clientes (contrato plurianual da Microsoft com a Nscale).
Daí que, quando se fala em “Centro de Dados da Microsoft/Amazon/Google”, nem sempre se esteja a falar de um edifício que essas empresas detêm. Na maioria das vezes, o proprietário do Centro de Dados é independente e, no mesmo edifício, podem coexistir ambientes de computação contratados por várias empresas.
Nesta série, quando mencionarmos “Centro de Dados”, estaremos a referir-nos à infraestrutura física onde os computadores são instalados ou, na terminologia dos Sistemas de Informação, onde são alojados ou hospedados.
Por agora é tudo. Encontramo-nos no próximo artigo.
Por Paulo Simões, Fundador da Cloud365